Tebet vira rosto de Lula no front do etanol contra Trump
O presidente Lula (PT) designou Simone Tebet (PSB) para apresentar ao setor do etanol as medidas do governo contra o tarifaço imposto por Donald Trump. A ex-ministra do Planejamento, agora pré-candidata ao Senado por São Paulo, se tornou a ponte entre o Planalto e empresários do biocombustível.
A escolha não é casual. Tebet disputa vaga no estado que concentra a maior produção de etanol do país. O setor foi um dos mais atingidos pelas tarifas americanas.
Estratégia dupla
A escalação mistura gestão de crise com palanque eleitoral. Lula coloca a ex-ministra para dialogar diretamente com um segmento econômico estratégico em ano de eleição.
O movimento ocorre enquanto o governo articula respostas ao pacote tarifário de Trump, que afeta exportações brasileiras. O etanol figura entre os produtos na mira das sobretaxas.
Perfil técnico
Tebet comandou o Planejamento até deixar o cargo para se dedicar à campanha em São Paulo. Mantém trânsito com o empresariado e conhece os números do setor.
A missão é dupla: explicar as contramedidas brasileiras e segurar a pressão dos produtores sobre o governo federal.
Cenário de guerra comercial
As tarifas de Trump colocaram o Brasil em rota de colisão comercial com os Estados Unidos. O etanol entra na lista de produtos que podem sofrer retaliação cruzada.
Produtores pressionam por compensações e acordos bilaterais. Querem acesso garantido ao mercado americano ou alternativas de escoamento.
A entrada de Tebet sinaliza que o Planalto trata o tema como prioritário. A escolha de uma pré-candidata reforça o peso político da questão.
O setor do etanol movimenta bilhões e emprega milhares em São Paulo. Perder mercado nos EUA significa impacto direto na economia paulista.