Ministro da Defesa israelense anuncia troca de general; IDF recusa
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou em transmissão ao vivo na televisão que substituiria o major-general Avi Bluth, comandante das forças israelenses na Cisjordânia. Minutos depois, as Forças de Defesa de Israel (IDF) emitiram comunicado dizendo que Bluth permanece no cargo.
A disputa pública expõe uma crise sem precedentes entre o comando militar e o governo israelense.
Katz acusou Bluth de agir contra sua política em relação a colonos violentos na Cisjordânia. O ministro declarou ter controle "absoluto" sobre as IDF e que a decisão de substituir o general estava tomada.
O Exército israelense respondeu de forma direta. Em nota oficial, as IDF afirmaram que o major-general Bluth continua em suas funções como comandante do Comando Central, responsável pelas operações na Cisjordânia.
Raiz do conflito
A divergência gira em torno da abordagem militar em relação a colonos israelenses acusados de ataques contra palestinos. Bluth teria adotado medidas que Katz considera contrárias às diretrizes políticas do ministério.
Colonos israelenses na Cisjordânia vêm sendo acusados por organizações de direitos humanos de crescente violência contra comunidades palestinas. O tema divide o governo e as forças armadas.
Disputa pública
A declaração ao vivo de Katz marca uma escalada rara na relação entre civis e militares em Israel. Tradicionalmente, as IDF mantêm elevado grau de autonomia operacional, mesmo sob supervisão ministerial.
A recusa pública do Exército em acatar a ordem do ministro da Defesa abre questões sobre a cadeia de comando e a autoridade civil sobre as forças armadas.
Não há informação sobre como o impasse será resolvido. Fontes militares não comentaram se há disposição para negociação ou se o caso pode chegar ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
A Cisjordânia permanece sob controle militar israelense desde 1967, com mais de 450 mil colonos judeus vivendo em assentamentos considerados ilegais pelo direito internacional.