Tarifaço dos EUA atinge SP e SC: US$ 3,8 bi em risco
São Paulo e Santa Catarina vão sentir mais da metade do baque do tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Dos US$ 7,4 bilhões em exportações atingidas, US$ 3,8 bilhões saem desses dois estados.
São Paulo lidera sozinho. O estado concentra US$ 3 bilhões das vendas afetadas — 41,6% do total nacional sob mira das tarifas americanas.
Santa Catarina vem em segundo lugar, com 10,4% do impacto. Juntos, os dois estados somam 52% de tudo que o Brasil pode perder com a medida.
Produtos na linha de tiro
As tarifas atingem principalmente produtos industrializados e commodities beneficiadas. São Paulo exporta máquinas, autopeças e produtos químicos para o mercado americano.
Santa Catarina concentra suas vendas em proteínas processadas, equipamentos elétricos e produtos plásticos.
A medida dos EUA entrou em vigor sem prazo definido para revisão. Empresários dos dois estados pressionam Brasília por reação.
Pressão sobre a economia
O tarifaço adiciona pressão inflacionária num momento crítico. O Copom se reúne em maio para decidir sobre juros, e o cenário externo agora pesa mais.
Economistas alertam que a retaliação comercial pode forçar o Banco Central a manter a Selic elevada por mais tempo. A decisão do Copom ganha complexidade com esse novo ingrediente.
Federações industriais de São Paulo e Santa Catarina já articulam reuniões emergenciais com o Ministério da Economia. Pedem compensações fiscais e linhas de crédito para segurar empregos.
O governo federal estuda medidas de retaliação, mas enfrenta dilema: revidar pode escalar a guerra comercial e prejudicar ainda mais as exportações.
Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Qualquer abalo nessa relação comercial repercute direto no PIB nacional.