PL de térmicas pode tirar R$ 480 mi de renováveis até 2032

Um projeto de lei que tramita no Senado Federal ameaça tirar R$ 480 milhões do setor de energias renováveis até 2032. A projeção é da consultoria Aurora Energy Research, divulgada pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás).

O texto prevê a contratação obrigatória de 2,5 gigawatts em novas usinas termelétricas movidas a gás natural. O problema: essas plantas teriam baixa flexibilidade de operação.

Corte de energia limpa pode saltar 12%

A entrada dessas térmicas inflexíveis no sistema elétrico brasileiro elevaria em 12% o chamado curtailment — corte forçado de geração de fontes como solar e eólica.

Na prática, parques eólicos e solares seriam obrigados a reduzir produção mesmo com vento e sol disponíveis. A energia limpa daria lugar às térmicas a gás.

Térmicas inflexíveis contra renováveis

O embate é direto: térmicas com operação rígida ocupam espaço no sistema e expulsam fontes limpas. Quando as usinas a gás não conseguem desligar rapidamente, forçam o corte de geração renovável.

A Aurora calculou que o prejuízo adicional ao setor renovável chegaria a quase meio bilhão de reais nos próximos oito anos.

Projeto aguarda tramitação

O projeto de lei ainda precisa passar por comissões do Senado antes de ir ao plenário. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deve analisar aspectos jurídicos da proposta.

Defensores do texto argumentam que as térmicas garantem segurança energética em períodos de baixa geração renovável. Críticos apontam que a inflexibilidade das plantas prejudica a integração de fontes limpas.

O setor renovável pressiona contra a aprovação. Empresas eólicas e solares alegam que o Brasil corre risco de travar a transição energética.

A Abegás ainda não se manifestou sobre as críticas ao estudo.