CCJ hoje pode votar fim da impunidade em furtos na família

CCJ hoje pode votar fim da impunidade em furtos na família
Foto: Congresso em Foco

O deputado federal Kim Kataguiri (Podemos-SP) apresentou projeto de lei que acaba com a imunidade penal para furtos cometidos entre familiares. A proposta permite investigação e punição quando a vítima registrar denúncia formal.

Hoje, o Código Penal brasileiro isenta de pena quem furta cônjuge, ascendente ou descendente. A regra vale mesmo quando há separação de fato ou divórcio.

O projeto tramita na Câmara dos Deputados e aguarda análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Como funciona hoje

A legislação atual considera que conflitos patrimoniais entre parentes devem ser resolvidos no âmbito civil. Não cabe ação penal.

Na prática, filhos podem furtar pais, maridos podem furtar esposas, e vice-versa, sem qualquer consequência criminal.

A única exceção é o furto contra parente maior de 60 anos. Nesses casos, a lei já permite punição.

O que muda com o projeto

O texto de Kataguiri mantém a imunidade como regra geral. Mas abre uma porta.

Se a vítima registrar queixa formal, a investigação segue. E pode resultar em processo criminal.

A mudança atinge furtos entre:

  • Cônjuges e ex-cônjuges
  • Pais e filhos
  • Avós e netos
  • Outros ascendentes e descendentes

Justificativa do deputado

Para Kataguiri, a lei atual cria uma zona de impunidade incompatível com o direito à propriedade.

O parlamentar argumenta que a vítima deve ter o direito de escolher se quer acionar a Justiça.

A proposta não torna a denúncia obrigatória. Apenas remove o bloqueio automático à investigação.

Tramitação

O projeto aguarda inclusão na pauta da CCJ. Não há data definida para votação.

Se aprovado na comissão, o texto segue para análise do plenário da Câmara. Depois, vai ao Senado.

A matéria altera o artigo 181 do Código Penal, que trata das escusas absolutórias em crimes contra o patrimônio.