Japão anuncia US$ 2,3 trilhões para disputa global em IA

Japão anuncia US$ 2,3 trilhões para disputa global em IA
Foto: valor.globo.com

O Japão acaba de anunciar um plano de investimentos de 370 trilhões de ienes — equivalente a US$ 2,3 trilhões — para tentar recuperar o terreno perdido na corrida global por inteligência artificial e semicondutores.

A primeira-ministra Sanae Takaichi aprovou uma estratégia nacional que distribui recursos públicos e privados por 17 setores tecnológicos considerados prioritários. O governo vai criar um cargo de alto escalão especificamente para coordenar esses esforços.

A missão desse novo executivo será promover tecnologias japonesas como padrões internacionais. Uma tarefa difícil: o país asiático ficou para trás enquanto rivais avançavam.

Quem está na frente

Os Estados Unidos dominam as especificações técnicas e avaliações de segurança através de gigantes como Google, Microsoft e Meta. A China transformou a padronização tecnológica em política de Estado. A Europa articula suas próprias diretrizes regulatórias.

O Japão, que já foi potência em eletrônicos, perdeu protagonismo nas últimas décadas.

Setores prioritários

O investimento bilionário mira recuperar competitividade em áreas estratégicas:

  • Inteligência artificial
  • Semicondutores avançados
  • Computação quântica
  • Biotecnologia
  • Energia limpa

A estratégia combina dinheiro do tesouro japonês com capital privado. O objetivo é criar um ecossistema que permita às empresas nacionais competir globalmente.

Corrida tecnológica

O anúncio japonês ocorre em momento de tensão geopolítica crescente. Estados Unidos e China disputam supremacia tecnológica em áreas consideradas essenciais para segurança nacional.

Controle sobre padrões técnicos significa influência sobre como a tecnologia será desenvolvida e aplicada mundialmente. Também define quais empresas terão vantagem comercial.

O Japão tenta agora garantir assento nessa mesa de decisões. Com US$ 2,3 trilhões em jogo, a aposta é alta.

A efetividade do plano dependerá da capacidade do novo cargo governamental de articular interesses de empresas privadas, universidades e centros de pesquisa — além de negociar padrões internacionais em fóruns globais.