Japão acusa Paquistão de terrorismo em declaração com Índia

Japão acusa Paquistão de terrorismo em declaração com Índia
Foto: valor.globo.com

O Japão acusou oficialmente o Paquistão de promover terrorismo transfronteiriço. A declaração conjunta com a Índia marca uma guinada na diplomacia de Tóquio, que mantinha neutralidade há décadas no conflito entre os vizinhos asiáticos.

A primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi e o premiê indiano Narendra Modi emitiram o documento em 2 de julho, após a 16ª Cúpula Anual Japão-Índia em Nova Déli. O texto cita explicitamente o Paquistão.

"Os dois primeiros-ministros condenaram de forma inequívoca e veemente o terrorismo e o extremismo violento em todas as suas formas e manifestações, incluindo o terrorismo transfronteiriço proveniente do Paquistão", diz a declaração oficial.

Reação paquistanesa

Autoridades em Islamabad reagiram com preocupação. A imprensa local destacou que pela primeira vez em anos Tóquio abandona a postura neutra sobre as acusações indianas.

Especialistas paquistaneses veem a mudança como sinal de alinhamento estratégico crescente entre Japão e Índia. A parceria entre Tóquio e Nova Déli se aprofundou nos últimos anos, impulsionada por preocupações compartilhadas sobre a expansão chinesa na região.

Contexto diplomático

A Índia acusa sistematicamente o Paquistão de abrigar e financiar grupos terroristas que atuam na Caxemira. Islamabad nega as alegações e afirma apoiar apenas a autodeterminação dos caxemires.

O Japão historicamente evitava tomar partido na disputa bilateral. A menção explícita ao Paquistão na declaração conjunta representa ruptura com essa tradição diplomática.

A guinada ocorre enquanto Tóquio reforça laços de defesa e economia com Nova Déli. Os dois países participam do Quad, grupo de segurança que também inclui Estados Unidos e Austrália, visto como contrapeso à China.

A declaração foi divulgada em inglês e japonês. O governo paquistanês ainda não emitiu resposta oficial ao documento.