Cacau despenca 75% e deixa África sem pagamento

Cacau despenca 75% e deixa África sem pagamento
Foto: Poder360

O preço do cacau despencou 75% no mercado internacional e deixou milhares de agricultores africanos sem receber por suas safras. Gana e Costa do Marfim, responsáveis por dois terços da produção mundial, relatam atrasos generalizados nos pagamentos.

Produtores da região acumulam estoques encalhados. Sem conseguir vender, famílias inteiras ficaram sem renda nas últimas semanas.

Da euforia ao colapso

O cacau chegou a bater recordes históricos em 2024, ultrapassando US$ 12 mil por tonelada. A cotação atual gira em torno de US$ 3 mil.

A queda livre pegou produtores desprevenidos. Muitos haviam investido em expansão de plantações apostando na alta.

Cooperativas agrícolas da Costa do Marfim suspenderam novos contratos. Em Gana, relatos dão conta de intermediários sumindo sem pagar agricultores.

Mercado travado

O colapso afeta toda a cadeia produtiva. Transportadoras reduziram operações. Armazéns estão lotados de sacas sem comprador.

Especialistas apontam especulação financeira como principal causa da volatilidade. Fundos de investimento apostaram pesado na commodity e depois recuaram.

A produção africana representa 70% do cacau mundial. Qualquer crise na região impacta diretamente a indústria global de chocolate.

Governo promete intervenção

Autoridades ganesas anunciaram reuniões emergenciais com cooperativas. O objetivo é garantir preço mínimo aos produtores.

Costa do Marfim estuda mecanismo de compensação financeira. Detalhes ainda não foram divulgados.

Enquanto isso, agricultores africanos amargam prejuízos após anos de trabalho nas lavouras de cacau.