TSE quer criar selo de 'acurácia' para pesquisas eleitorais
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, quer criar um selo de "acurácia" para certificar institutos de pesquisa eleitoral mais certeiros. A proposta ignora um fato básico: pesquisas não servem para prever eleições.
Kassio anunciou a ideia durante sessão do TSE nesta sexta-feira. O selo premiaria empresas cujas pesquisas chegassem mais perto do resultado final das urnas.
O problema da proposta
Especialistas em estatística alertam que pesquisas eleitorais capturam intenções de voto em um momento específico. Não são previsões.
Mudanças de cenário, debates, escândalos e até o clima no dia da votação alteram decisões. Uma pesquisa feita semanas antes não pode antecipar esses fatores.
Transformar institutos em cartomantes — e premiá-los por isso — distorce a natureza do trabalho estatístico.
Risco para a democracia
A iniciativa pode empurrar institutos a manipular metodologias. Em vez de captar a realidade do momento, buscariam "acertar" um resultado futuro.
Isso compromete a única função real das pesquisas: mostrar tendências e preferências do eleitorado em tempo real.
Kassio não detalhou como o selo funcionaria. Também não explicou quais critérios definiriam a tal acurácia.
Contexto político
A proposta surge em meio a críticas recorrentes de políticos contra pesquisas que não lhes favorecem. Candidatos derrotados frequentemente atacam institutos após resultados negativos.
O TSE não informou se haverá consulta pública sobre o selo. Entidades representativas de estatísticos e pesquisadores ainda não se manifestaram oficialmente.
A corte eleitoral tem competência para regulamentar pesquisas, mas não para redefinir sua natureza científica.