Trabalhadora resgatada após 52 anos sem salário ganha R$ 645 mil
Uma trabalhadora doméstica de 69 anos receberá R$ 645 mil de indenização após ser resgatada em julho deste ano em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Ela trabalhou 52 anos sem receber um centavo.
O Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro coordenou uma força-tarefa que libertou a mulher encontrada em condições análogas à escravidão. A denúncia que levou ao resgate partiu de terceiros.
Durante mais de cinco décadas, a vítima executou todas as atividades domésticas da residência. Cuidou do filho da empregadora quando ele era criança. Depois, virou cuidadora da própria patroa, que hoje tem problemas de saúde.
Meio século de exploração
O caso expõe uma realidade persistente no Brasil. A trabalhadora passou a vida inteira na mesma casa, sem direitos trabalhistas, sem férias, sem salário.
A indenização foi determinada pela Justiça do Trabalho após comprovação das condições de exploração. O valor busca compensar décadas de trabalho forçado e violação de direitos fundamentais.
O Ministério Público do Trabalho registra casos semelhantes em todo o país. Em operações recentes, 29 trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão em outras regiões.
Padrão de exploração
A história da doméstica de Nova Iguaçu repete um padrão identificado por fiscais trabalhistas. Mulheres negras, pobres e com baixa escolaridade são as principais vítimas.
A exploração geralmente começa na infância ou juventude. As vítimas ficam isoladas, sem acesso a informações sobre direitos trabalhistas. A dependência emocional e financeira dificulta a denúncia.
O resgate marca o fim de uma vida de servidão. Agora, a trabalhadora terá acesso à indenização que representa o reconhecimento judicial de 52 anos de exploração.