Sul perde 317 MW em corte de energia renovável — Planalto decisão aguardada

O Operador Nacional do Sistema Elétrico cortou 317 megawatts de geração renovável no submercado Sul em 19 de julho. O dado expõe a fragilidade da gestão de excedentes no país.

A interrupção forçada — conhecida como curtailment — atinge principalmente usinas eólicas e solares quando há excesso de geração ou limitações na rede.

O problema não é novo. Desde 2019, a ANEEL mantém em consulta pública as regras para rateio dos custos dessa prática. Quatro anos depois, nada saiu do papel.

Quem paga a conta

O conflito é direto: geradores renováveis versus consumidores e distribuidoras. Cada corte representa prejuízo imediato para quem investiu em parques eólicos e solares.

Sem regras claras, o risco recai sobre os projetos. Investidores hesitam. Novos empreendimentos travam.

A Consulta Pública nº 45/2019 deveria ter resolvido isso há anos. A indefinição corrói a credibilidade do setor elétrico brasileiro.

Sul concentra o problema

A região Sul responde por parte crescente da capacidade renovável instalada. Mais usinas significam mais risco de curtailment em períodos de alta geração e baixa demanda.

Os 317 MW cortados equivalem ao consumo de cerca de 150 mil residências por hora. Energia produzida, mas desperdiçada.

O episódio de julho não é isolado. Casos semelhantes se multiplicam à medida que a matriz renovável cresce sem planejamento adequado da transmissão.

Urgência regulatória

O setor cobra definição. Associações de geradores pressionam Brasília para que a ANEEL finalize a regulamentação.

Sem clareza sobre quem arca com os custos do curtailment, a expansão renovável enfrenta barreira invisível mas real.

A solução técnica existe. Falta decisão política para implementá-la.

Enquanto isso, megawatts continuam sendo cortados. E o Brasil segue perdendo oportunidade de consolidar sua transição energética.