Raízen vende usina por R$ 760 mi, mas dívida de R$ 65 bi segue

A Raízen Energia S.A. vendeu a Usina Caarapó, em Mato Grosso do Sul, para a Adecoagro Vale do Ivinhema S.A. por R$ 760 milhões. O negócio foi anunciado nesta semana como parte de uma estratégia de otimização de portfólio da companhia.

O problema: a cifra representa menos de 1,2% da dívida total da empresa, que está em recuperação extrajudicial de R$ 65 bilhões.

Impacto limitado na desalavancagem

Analistas de mercado foram diretos ao ponto. O montante da venda terá efeito mínimo sobre a situação financeira da Raízen. A empresa enfrenta um dos maiores processos de reestruturação de dívidas do setor de energia no país.

A usina vendida fica em Caarapó, no sul de Mato Grosso do Sul. A Adecoagro Vale do Ivinhema assume agora a operação da unidade produtora de etanol e açúcar.

Recuperação extrajudicial em andamento

A Raízen está mergulhada em negociações com credores desde que entrou com pedido de recuperação extrajudicial. O montante de R$ 65 bilhões coloca a companhia entre os maiores casos do tipo na história recente do Brasil.

A venda da Usina Caarapó faz parte de um movimento mais amplo de desinvestimento. A empresa busca gerar caixa para reduzir endividamento e recuperar fôlego financeiro.

Mas os números não deixam dúvida: R$ 760 milhões são uma gota no oceano diante do passivo de R$ 65 bilhões.

O que vem pela frente

Especialistas do setor energético acompanham de perto os próximos passos da Raízen. A expectativa é que outras unidades também possam ser vendidas nos próximos meses.

A companhia não informou se há novas negociações em curso. O foco declarado é a reestruturação da dívida e a manutenção das operações principais.

Para investidores e analistas, o caso Raízen serve de alerta sobre os desafios do setor sucroenergético brasileiro em meio a endividamento crescente e margens apertadas.