ONS muda forma de medir energia e corta usinas do sistema

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mudou em 19 de julho a forma de calcular a carga e geração de energia no Brasil. A atualização incorpora pela primeira vez a estimativa da micro e minigeração distribuída (MMGD) nos dados oficiais do Sistema Interligado Nacional (SIN).

A medida chega em momento crítico. O ONS intensificou a gestão de excedentes de geração, incluindo cortes em usinas conectadas à rede de distribuição.

O que muda na prática

Até agora, os dados do SIN não consideravam a energia produzida por painéis solares residenciais e pequenas usinas. Com a nova metodologia, o operador passa a ter visão mais precisa da carga total do sistema.

A micro e minigeração distribuída cresceu exponentially nos últimos anos. São milhares de unidades espalhadas pelo país que geram energia localmente.

Cortes no sistema

Paralelamente à atualização dos dados, o ONS ampliou a gestão de excedentes. Quando há sobra de energia no sistema, o operador determina cortes.

As usinas conectadas à rede de distribuição entraram na lista de possíveis cortes. Antes, apenas grandes geradoras conectadas à transmissão eram afetadas.

Impacto no setor elétrico

A mudança metodológica altera a forma como o mercado enxerga o consumo real de energia. Com a MMGD computada, a carga total fica mais transparente.

Especialistas apontam que a medida era necessária. O volume de geração distribuída no Brasil atingiu patamares que não podiam mais ser ignorados nas estatísticas oficiais.

O ONS não informou o volume exato de MMGD que passou a ser contabilizado. A entidade também não detalhou quantas usinas já sofreram cortes desde o início da nova gestão de excedentes.

A atualização dos dados foi publicada no Portal Radar Energia.