Netanyahu cede a ultraortodoxos em últimos dias no poder
Benjamin Netanyahu acaba de fazer uma série de concessões aos partidos ultraortodoxos israelenses. O primeiro-ministro, que vive seus últimos dias no poder, busca garantir apoio político para eventual retorno ao cargo após as próximas eleições.
As negociações envolvem demandas históricas dos haredim — como são chamados os judeus ultraortodoxos em Israel. Netanyahu aceita condições que antes resistia, numa guinada calculada para manter sua base de apoio intacta.
Estratégia de sobrevivência política
O movimento acontece enquanto o Likud, partido de Netanyahu, se prepara para disputar novamente o comando do país. A aliança com os ultraortodoxos sempre foi peça-chave na engenharia política do premier, que já governou Israel por mais de 15 anos em mandatos alternados.
Os partidos haredim representam cerca de 12% do eleitorado israelense. Seu apoio é decisivo em qualquer coalizão de direita no país.
Concessões polêmicas
As demandas ultraortodoxas incluem tradicionalmente:
- Isenção do serviço militar obrigatório para estudantes religiosos
- Financiamento público para instituições de ensino religioso
- Restrições a atividades comerciais no shabat
- Maior influência rabínica em questões de Estado
Netanyahu enfrenta processos judiciais por corrupção e busca blindagem política. A aliança com os religiosos faz parte de sua estratégia de permanência relevante no cenário político israelense, mesmo fora do cargo.
Cenário pós-eleitoral
A movimentação ocorre num momento delicado. Israel atravessa crise política prolongada, com eleições sucessivas nos últimos anos. Netanyahu tenta se posicionar como único líder capaz de reunir a direita israelense.
A tática pode funcionar a curto prazo. Mas as concessões aos ultraortodoxos tendem a gerar atrito com setores seculares da sociedade israelense, que historicamente criticam os privilégios concedidos aos haredim.
O desfecho dessa estratégia só será conhecido nas urnas.