Juíza afasta intérprete de Libras e gera polêmica em Brasília

Juíza afasta intérprete de Libras e gera polêmica em Brasília
Foto: congressoemfoco.com.br

Uma juíza da Justiça do Trabalho de Brasília destituiu um intérprete de Libras durante uma audiência. A decisão gerou questionamentos sobre o direito à comunicação acessível de pessoas surdas nos tribunais da capital federal.

O caso ocorreu em plena sessão. A magistrada afastou o profissional responsável por traduzir os procedimentos para o participante surdo. Não há registro de justificativa formal para a medida.

Direito à comunicação em jogo

A Constituição Federal garante às pessoas com deficiência o direito à acessibilidade. A Lei Brasileira de Inclusão reforça que intérpretes de Libras são essenciais em atos oficiais.

A ausência do profissional pode comprometer:

  • O direito de defesa plena
  • A compreensão dos atos processuais
  • A participação efetiva na audiência
  • A validade jurídica do procedimento

Especialistas apontam que a destituição arbitrária configura violação de garantias fundamentais. O intérprete não é um facilitador opcional. É um direito previsto em lei.

Repercussão no Judiciário

O episódio ganhou repercussão entre defensores dos direitos das pessoas com deficiência. Entidades questionam se houve motivação técnica ou falha no entendimento da função do intérprete.

A Justiça do Trabalho ainda não se manifestou oficialmente sobre o ocorrido. Também não há informação se a audiência foi suspensa ou se houve nomeação de outro profissional.

O Conselho Nacional de Justiça estabelece protocolos de acessibilidade. As diretrizes determinam a presença obrigatória de intérpretes quando houver participantes surdos.

Brasília concentra parte significativa dos processos trabalhistas do Distrito Federal. A capital conta com estrutura própria de intérpretes credenciados para atuar no Judiciário.

O caso reacende o debate sobre a aplicação efetiva das normas de inclusão. A questão central: o Judiciário está preparado para garantir participação plena de todos os cidadãos?