Homens usam oferta de emprego pra ganhar aumento; mulheres não

Homens usam oferta de emprego pra ganhar aumento; mulheres não
Foto: moneytimes.com.br

Homens usam ofertas de emprego de outras empresas como arma para arrancar aumento salarial 30% mais do que mulheres. A diferença na estratégia de negociação explica parte da diferença salarial entre os sexos.

O estudo da Fundação Rockwool de Berlim analisou padrões de negociação no mercado de trabalho alemão. Os dados revelam que profissionais do sexo masculino transformam propostas externas em moeda de troca com mais frequência.

A pesquisa acompanhou milhares de trabalhadores. Quando recebem oferta de outra empresa, os homens procuram o chefe atual para negociar. As mulheres simplesmente aceitam ou recusam a proposta externa.

Diferença na mesa de negociação

A estratégia masculina funciona. Quem usa a oferta externa como pressão consegue aumentos médios superiores. Quem não usa fica para trás na corrida salarial.

O comportamento não tem relação com qualificação profissional. Mulheres e homens com mesma formação e experiência adotam táticas diferentes. O resultado aparece no contracheque.

Os pesquisadores identificaram o padrão em diversos setores da economia. A diferença se mantém em cargos de entrada e posições executivas.

Raiz da disparidade salarial

A descoberta joga luz sobre um aspecto pouco estudado da diferença salarial entre gêneros. Estudos anteriores focavam em discriminação direta ou escolhas de carreira.

A Fundação Rockwool apontou que estilos de negociação distintos perpetuam a desigualdade. A lacuna salarial não depende apenas do que o empregador oferece, mas do que o empregado exige.

Especialistas em recursos humanos ouvidos pela Reuters confirmam o padrão. Homens chegam à mesa de negociação com mais frequência. Mulheres esperam que o reconhecimento venha naturalmente.

O estudo não avaliou as razões por trás da diferença comportamental. Pesquisadores sugerem que fatores culturais e sociais influenciam a disposição para confronto salarial.

A descoberta coloca pressão sobre empresas para criar políticas de remuneração mais transparentes. Sistemas automáticos de ajuste salarial eliminariam a vantagem de quem negocia com mais agressividade.