Fazenda trava R$ 151 bi do Plano Safra há três semanas
O Ministério da Fazenda segura há três semanas R$ 151,4 bilhões em crédito rural com juros subsidiados. A portaria que autoriza o pagamento da equalização pelo Tesouro Nacional não saiu do papel desde o lançamento do Plano Safra.
Sem o documento, bancos e cooperativas não podem ofertar as linhas de financiamento mais baratas aos produtores. São R$ 141,4 bilhões em crédito com subvenção federal e mais R$ 10 bilhões da nova linha Move Agricultura para máquinas e equipamentos.
O impasse deixa agricultores na mão em plena janela de plantio. Apenas créditos com juros livres ou controlados sem equalização estão disponíveis — a maior fatia dos R$ 610,3 bilhões anunciados para o ciclo.
Produtores reclamam de atraso
A falta de tempestividade irrita o setor. Produtores rurais dependem do calendário agrícola e não podem esperar indefinidamente pela burocracia federal.
A equalização de juros é o mecanismo que permite ao governo bancar a diferença entre a taxa de mercado e a taxa subsidiada oferecida ao produtor. Sem a portaria, o Tesouro não tem autorização para fazer esses repasses.
Move Agricultura parado
O programa Move Agricultura, anunciado como novidade desta safra, também não saiu do papel. Os R$ 10 bilhões destinados à modernização do maquinário agrícola seguem travados por falta de regulamentação.
A demora contrasta com a urgência do setor produtivo. O período de plantio não espera trâmites administrativos.
Enquanto a Fazenda não se manifesta, produtores buscam alternativas mais caras no mercado ou adiam investimentos. A pressão sobre o ministério cresce a cada dia.