Europa debate limite de filhos por doador de esperma

Europa debate limite de filhos por doador de esperma
Foto: Poder360

Um homem na Holanda descobriu ter mais de 550 filhos biológicos. Outro, no Reino Unido, passou de 60. Os casos extremos de doadores de esperma na Europa voltaram a acender o alerta sobre os limites necessários para evitar consanguinidade acidental.

A situação contrasta com o Brasil, onde o Conselho Federal de Medicina estabelece regras claras: cada doador pode gerar no máximo duas gestações por região com 1 milhão de habitantes.

Regras brasileiras são mais rígidas

A norma brasileira funciona como barreira contra o principal risco: filhos do mesmo doador se relacionarem sem saber do parentesco. Em cidades menores, o limite cai proporcionalmente.

As clínicas de reprodução assistida no país são obrigadas a manter registros detalhados. O anonimato do doador é garantido, mas os dados ficam arquivados para consulta médica quando necessário.

Na Europa, a falta de padronização entre países permite distorções. Alguns doadores atuam em múltiplas clínicas ou atravessam fronteiras, burlando controles nacionais.

Falta doador voluntário

O maior problema brasileiro não está nas regras, mas na escassez. Clínicas relatam dificuldade crônica para recrutar doadores de esperma.

A doação é gratuita e anônima. O perfil ideal inclui homens entre 18 e 45 anos, saudáveis, dispostos a passar por triagem médica rigorosa.

Especialistas apontam fatores culturais como obstáculo. Diferente de países com tradição consolidada em doação, o Brasil ainda enfrenta resistências ligadas a tabus e desconhecimento sobre o processo.

As clínicas investem em campanhas de conscientização. O argumento: um único doador pode ajudar casais e mulheres solo a realizarem o sonho da maternidade, dentro de limites seguros.

Enquanto a Europa discute como apertar controles frouxos, o Brasil precisa do caminho inverso: ampliar a base de doadores sem afrouxar a segurança já estabelecida.