EUA preparam sanções comerciais contra trabalho escravo
O governo dos Estados Unidos vai anunciar em breve sanções comerciais contra países que utilizem trabalho forçado. A confirmação veio do representante comercial americano, Jamieson Greer, nesta terça-feira.
"Esperamos ver alguma ação em breve", disse Greer à CNBC. Ele não quis especificar uma data exata para o anúncio.
Seção 301 será acionada
As medidas serão aplicadas através da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Esse mecanismo permite ao governo americano impor tarifas e restrições contra práticas comerciais consideradas desleais.
A Seção 301 já foi usada anteriormente contra a China durante o primeiro mandato de Donald Trump. Na época, Washington justificou tarifas bilionárias citando roubo de propriedade intelectual e práticas comerciais abusivas.
Foco no trabalho forçado
Agora, a administração Trump mira especificamente o trabalho forçado. A prática é definida como qualquer trabalho ou serviço extraído de uma pessoa sob ameaça de punição.
Os EUA já proíbem a importação de produtos feitos com trabalho forçado desde 1930. Mas a fiscalização ganhou força nos últimos anos, especialmente contra produtos vindos da região de Xinjiang, na China.
Greer não revelou quais países ou setores serão alvo das novas medidas. Também não ficou claro se as sanções virão na forma de tarifas, bloqueios de importação ou outras restrições comerciais.
Pressão sobre cadeias globais
A movimentação acontece num momento de tensão comercial crescente. A Casa Branca já sinalizou que pretende usar ferramentas comerciais de forma mais agressiva neste segundo mandato.
Para empresas que dependem de cadeias de suprimento globais, o recado é claro: será preciso comprovar que não há trabalho forçado em nenhuma etapa da produção.
O anúncio oficial deve sair nas próximas semanas.