Divisão global custa 1% do PIB mundial, diz Goldman Sachs
O mundo está mais dividido agora do que durante a Guerra Fria. E isso tem um preço: 1% do Produto Interno Bruto global.
Um estudo do Goldman Sachs mapeou o impacto econômico das alianças geopolíticas sobre o crescimento mundial. O resultado surpreende pela dimensão das perdas.
A pesquisa analisou votações na Assembleia Geral da ONU desde 1946. As fraturas atuais entre blocos de países superaram os níveis registrados nos anos 1980, auge da tensão entre Estados Unidos e União Soviética.
O custo da discórdia
O banco calculou que as divisões geopolíticas custam cerca de 1 trilhão de dólares por ano à economia global. O número considera apenas o impacto direto sobre o comércio e investimentos entre nações.
Países alinhados politicamente comercializam 30% mais entre si do que nações em lados opostos do tabuleiro geopolítico. Quando as relações azedam, o prejuízo demora décadas para desaparecer.
Cicatrizes profundas
O estudo traz outro dado revelador: guerras cicatrizam mais rápido que rompimentos diplomáticos.
Um conflito armado leva em média dois anos para ser superado nas relações comerciais entre países. Já uma ruptura diplomática exige 14 anos de recuperação.
A explicação está na confiança. Guerras têm fim declarado. Rompimentos diplomáticos deixam marcas institucionais que atravessam governos.
Novos blocos, velhas fissuras
O Goldman Sachs identificou três blocos principais no cenário atual:
- Ocidente liderado por Estados Unidos e Europa
- Eixo China-Rússia
- Países não-alinhados em busca de neutralidade
A fragmentação afeta cadeias produtivas globais. Empresas recalculam rotas de fornecimento. Investimentos migram conforme alianças políticas.
O Brasil aparece no grupo dos não-alinhados, mantendo relações comerciais com todos os blocos. A posição pode representar vantagem econômica se a neutralidade for preservada.
Os números do Goldman Sachs confirmam: a geopolítica deixou de ser apenas conversa de diplomata. Virou linha do balanço financeiro.