72 mortos em Ceuta: tragédia migratória expõe herança colonial
Pelo menos 72 pessoas morreram na última semana ao tentar cruzar para Ceuta, enclave espanhol no norte da África. As imagens chocaram o mundo: centenas de jovens saindo do mar, soldados armados bloqueando passagem, cercas de aço transformadas em barreiras mortais.
A tragédia ocorreu entre os dias 5 e 7 de fevereiro, quando milhares de migrantes tentaram atravessar a fronteira entre Marrocos e o território europeu. Autoridades espanholas mobilizaram tropas para conter a entrada massiva.
Rotas da desesperança
Ceuta se tornou ponto crítico da migração africana rumo à Europa. A cidade de 85 mil habitantes enfrenta ondas migratórias desde que Marrocos afrouxou controles fronteiriços.
Analistas apontam que a crise tem raízes profundas. O norte da África ainda sofre consequências diretas do colonialismo europeu que dividiu territórios, explorou recursos naturais e deixou países em situação de pobreza estrutural.
Fronteiras herdadas
Ceuta pertence à Espanha desde 1668. Melilla, outro enclave espanhol no Marrocos, vive situação similar. Ambas as cidades são cercadas por cercas de seis metros de altura com arame farpado.
Os migrantes vêm principalmente de países subsaarianos: Senegal, Mali, Guiné e Costa do Marfim. Fogem de guerras, fome e falta de perspectiva econômica.
A União Europeia intensificou acordos com Marrocos para barrar a migração. O país africano recebe milhões de euros anuais para atuar como guardião das fronteiras europeias.
Números da tragédia
Organizações humanitárias registraram:
- 72 mortos confirmados na última semana
- Mais de 2 mil tentativas de travessia repelidas
- Centenas de feridos em confrontos com forças de segurança
- Dezenas de desaparecidos no mar
Espanha não divulgou balanço oficial completo. O governo marroquino minimizou os números.
A crise migratória no Mediterrâneo já matou mais de 30 mil pessoas na última década, segundo dados da ONU.